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Afinal de contas, a forma correta é Para, Pra, Prá/Prà ou P'ra?


Certa vez perguntaram-me o porquê de eu usar a preposição "Prá" na forma como escrevo, daí nasceu a ideia para escrever este pequeno texto, ora vamos lá então... Em rigor absoluto e, à exceção da primeira acima, nenhuma das restantes grafias se encontra correta, isto é, se tivermos em conta o português padrão.

Comecemos por "Pra", que nada mais é que uma forma coloquial da preposição "Para", usada até com bastante frequência em textos escritos, mas, principalmente na comunicação oral, tendo como propósito, conferir um tom mais intimista a uma conversa. E embora o seu uso não seja de todo errado, é aconselhável reproduzir a sua forma num ambiente ou canal de informação de natureza mais informal; conversa oral, mensagens com familiares, amigos, nas redes sociais, citação/transcrição de diálogos em obras de ficção, etc.

Por sua vez, "Prá/Prà" e "P'ra" também já foram formas bastante usadas na língua portuguesa, antes do Acordo Ortográfico entre Portugal e Brasil respetivamente. Continuam, inclusive, a aparecer em alguns textos antigos e populares... os mais velhos com certeza lembrar-se-ão ao que me refiro. Contudo, atualmente já não são consideradas formas (não padronizadas) ou, sequer (coloquiais) de "Para", atenção, linguisticamente falando.

Atualmente, a forma sincopada "Pra" (sem acento grave ou agudo e sem apóstrofo) ainda é bastantemente usada na oralidade e, em escritos informais. Disto isto, a norma culta manda o uso de "Para", tal como reconhecida quase na totalidade dos dicionários de língua portuguesa como a (forma correta). Ainda assim, "Pra" registra-se em alguns dicionários como uma forma informal ou popular da preposição "Para".

Já "P’ra", tinha-se como uma forma elidida de "Para", em que o apóstrofo indicava a supressão da vogal "a" em "Para", sendo empregue em contextos escritos típicos, nomeadamente, a poesia e literatura.

Poderíamos também argumentar e, a título pessoal, que mesmo sendo estas preposições informais, não existiria nenhuma razão para que não obedecessem aos padrões de acentuação correntes, ou seja, acentuadas por se tratarem dum vocábulo monossilábico que termina com vogal tônica (já, só, fé...)

Pessoalmente, sou sincero quando digo que não uso nenhum critério morfológico ou etimológico (maior) quanto à escolha de cada termo. No âmbito formal tendo a seguir a regra, no informal, dada a ausência de normas ortográficas, sirvo-me da contração que mais me satisfaz, adotando na minha grafia o meu jeito de falar, usando a distinção de timbre como diferenciador... procurando em última instância, a efetividade comunicacional.

Em suma e, dependendo do quadrante em que nos encontramos, podemos afirmar que todas estas formas andam mais ou menos lado a lado, entremeando-se... Sabendo nós de antemão que, a grafia "Para" é a mais correta, que "Pra" se encontra registrada no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, e quanto às restantes formas? Bom, é à vontade do freguês.


— João Edgar Silva

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