Certas perguntas não procuram resposta concreta, definitiva, procuram apenas não enlouquecer no silêncio... e talvez seja por isso mesmo que doem tanto! Visto que não nascem da curiosidade teológica, mas do espanto moral, da náusea existencial perante um mundo onde o sofrimento ultrapassa qualquer arquitetura de sentido compreensível. Se os judeus suplicaram a Deus — e, não se duvide, suplicaram em todas as línguas possíveis e imaginárias da dor —, como pôde Ele não ter escutado? Como pôde um Deus que, segundo o próprio texto sagrado, se revela como um “pai vigilante”, “pastor atento” ou mesmo “libertador de escravos no Egipto” permanecer mudo diante das câmaras de gás? Como pode o Deus que “escuta o clamor do seu povo” ter fechado os olhos e tapado os ouvidos quando esse clamor se tornou um grito metódico, industrializado, contínuo e absolutamente incontornável? E mais, falavam eles a mesma língua que o seu filho, rezavam ao mesmo Pai, invocavam as mesmas promessas... e, ainda assim, ...