Certas perguntas não procuram resposta concreta, definitiva, procuram apenas não enlouquecer no silêncio... e talvez seja por isso mesmo que doem tanto! Visto que não nascem da curiosidade teológica, mas do espanto moral, da náusea existencial perante um mundo onde o sofrimento ultrapassa qualquer arquitetura de sentido compreensível. Se os judeus suplicaram a Deus — e, não se duvide, suplicaram em todas as línguas possíveis e imaginárias da dor —, como pôde Ele não ter escutado? Como pôde um Deus que, segundo o próprio texto sagrado, se revela como um “pai vigilante”, “pastor atento” ou mesmo “libertador de escravos no Egipto” permanecer mudo diante das câmaras de gás? Como pode o Deus que “escuta o clamor do seu povo” ter fechado os olhos e tapado os ouvidos quando esse clamor se tornou um grito metódico, industrializado, contínuo e absolutamente incontornável? E mais, falavam eles a mesma língua que o seu filho, rezavam ao mesmo Pai, invocavam as mesmas promessas... e, ainda assim, ...
Existe uma crença do nosso tempo, que de tão repetida , se tornou uma espécie de verdade inquestionável , um autêntico dogma : a de que todos nascemos com direitos! É-nos dito, desde cedo, que temos “ direitos humanos ” , “ direitos naturais ” , “direitos individuais”, “ direitos fundamentais”... como se esses direitos fossem atributos tão intrínsecos à nossa existência quanto os olhos com que enxergamos , os pulmões com que respiramos, ou a pele que nos cobre o corpo. Contudo, se nos despirmos de romantismos baratos e encararmos a realidade com olhar sóbrio e reflexivo, não tardamos a perceber que os direitos não nascem connosco... têm que ser construídos, garantidos e, acima de tudo, enforçados ! A palavra é dura, eu sei, mas necessária, pois a verdade é que não há direito sem dever e , poder intermediário , não há liberdade sem vigilância , não há escolha , sem o peso da consequência! Os direitos, parecem-me um tipo de ficção conveniente, a sua linguagem é um...